A ilha esta vazia. Perdida em
algum lugar entre as brumas. Na minha memoria ou no fundo do mar? Não ouço pássaros ao longe, nem sussurros de
uma língua antiga casualmente trazidos pelo vento. E nem mesmo o vento
ruminando as folhas das arvores parece ainda habitar ali. Nem o perigo
espreitando as ruínas ancestrais. Não há luz nas casas, nem animais correndo
para a floresta densa, nem fantasmas no cemitério e nem archotes acessos no
castelo transbordando de luz a noite de incertezas. A névoa secou em sua fonte
e tudo agora é visível e desprovido de mistérios. Todos foram embora. O mistério
é entender o que os levou.
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ENFRENTANDO O DRAGÃO
Os pés descalços deixavam manchas quase imperceptíveis no
asfalto áspero. Ela já não sentia a dor da pele em frangalhos. A adrenalina
percorria seu corpo como veneno e cura. Banho de
suor frio. Gotas lambidas pelo vento. Ele. Aquilo. O que quer fosse a farejava. Sabia
disso. Intuição, poderia se afirmar. O cheiro do medo talvez fosse forte
demais. Ou o sangue de seus pés machucados fosse um deleitável convite. Setas luminosas que levavam direto até ela, como o rastro de guloseimas deixado por
João e Maria para marcar o caminho de casa. Casa? Ela riu ao perceber que não
sabia mais o que era isso.
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