Os pés descalços deixavam manchas quase imperceptíveis no
asfalto áspero. Ela já não sentia a dor da pele em frangalhos. A adrenalina
percorria seu corpo como veneno e cura. Banho de
suor frio. Gotas lambidas pelo vento. Ele. Aquilo. O que quer fosse a farejava. Sabia
disso. Intuição, poderia se afirmar. O cheiro do medo talvez fosse forte
demais. Ou o sangue de seus pés machucados fosse um deleitável convite. Setas luminosas que levavam direto até ela, como o rastro de guloseimas deixado por
João e Maria para marcar o caminho de casa. Casa? Ela riu ao perceber que não
sabia mais o que era isso.
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